No mirante do meu telhado avistei as luzes do futuro anoitecer!
Por Antonio Nery da Silva Junior
É urgente se replanejar o futuro do setor energético brasileiro frente à iminente chegada da “indústria 4.0”, devendo-se abandonar planejamentos ultrapassados e encarar-se de frente essa “transição energética” pelo simples fato que ela, independe da vontade de um governo ou de uma simples tecnologia, é um fator social de característica mundial irreversível!
Confesso que soa um tanto quanto irônico se provocar tamanho debate e, em especial, se exigir dos nossos líderes que se atentem ao futuro energético do Brasil, quando ainda temos, em pleno século XXI, um aumento de quase 11% no número de lares que substituíram o gás (GLP) por cocção à lenha, chegando a quase 1,2 milhões de famílias, isto ainda como efeito da crise econômica.
Mas o fato é que tal debate se torna importante justamente por afetar ao interesse da sociedade como um todo, em especial das classes menos favorecidas que não possuem alternativa de migração de fornecedores ou muito menos de fontes energéticas elétricas sustentáveis e que sejam evolutivas em padrões com a dignidade da pessoa humana.
O que se ouve dos representantes do “Novo Governo” recém empossado é a réplica de um modelo energético — pode-se dizer “bem sucedido” no aspecto operacional das décadas de 60 e 70 — de hidrelétricas, maiores reservatórios, mais linhas de transmissões, mas não se nota uma discussão profunda da questão revolucionária, a transformação dos padrões de consumo da sociedade, o surgimento de novas tecnologias disruptivas.
Pois bem, podem-se afirmar que os grandes complexos de geração (hidrelétricas, térmicas, etc.) serão desnecessários ao sistema nacional — salvo como backup —. A geração distribuída será realidade, a cogeração em sistema de compensação com as Distribuidoras de Energia Elétrica será a realidade do futuro.
A verdade é que as cidades vivenciarão — o Brasil um pouco mais lento que o restante do Mundo — uma transição energética para a GERAÇÃO DISTRIBUÍDA, ou seja, a cogeração em sistema de compensação com as Distribuidoras de Energia Elétrica.
À medida que a tecnologia evoluir o custo da energia ao consumidor final se tornará mais caro, mais pessoas demonstrarão interesse em gerar — senão toda, ao menos parte — da sua própria energia buscando a redução de custos. Esse expediente de geração de energia nos telhados é um modelo onde o custo de aquisição da energia para o Brasil seria zero, enquanto os custos tradicionais continuam elevados.
As casas (cidades) já são um impacto ambiental (ocupação humana), o aproveitamento dos seus telhados seria apenas uma melhor reutilização deles, o que ambientalmente é perfeito e nem se precisa falar da dispensabilidade do “licenciamento ambiental” para se fazer essa operação, ainda que em larga escala.
O Brasil quebra com esta “brincadeira” de manter custos de energia elevados enquanto outras nações avançam em energia renovável com custos menores!
Por isto, nada melhor do que analisar as tendências de mercado, as mudanças que a revolução industrial trará, planejar (ou refazer o planejamento) energético brasileiro adotando tais premissas — o que em muitos Países já é realidade — e adequar as nossas ações governamentais enquanto há tempo, pois hoje, do “mirante do meu telhado”, posso tanto ver um futuro com o telhado dos meus vizinhos repletos de placas de geração de energia solar.
